brinquedos populares

Brinquedos do "PÉ DescalÇo"

Neste espaço pretendemos mostrar alguns brinquedos dos nossos pais e avós, pertencentes à colecção de brinquedos populares da Associação Desportiva e Recreativa do Loureiro.
Esta colecção é composta por 30 quadros ilustrativos dos brinquedos utilizados pelos nossos pais e avós, assim como de várias reconstruções de brinquedos utilizados na época.


Andador

Este brinquedo também era conhecido por andarilho e andadeira; tinha como principal função servir para ensinar a andar.
Era construido por uma estrutura de 6 ripas de madeira assente em três rodas; a criança deslocava-se, apoiando-se, sobre a estrutura.
Há imagens da época que testemunham a utilização deste objecto desde tempos bem recuados. Encontra-se também em gravuras da Idade Média e do Renascimento. Ainda há pouco era usada por todo o país, mas os seus efeitos negativos sobre o desenvolvimento da estrutura óssea foram já apontados por educadores do séc. XVIII. Com efeito, um autor português desse século, Francisco José de Almeida, afirma no seu "Tratado de Educação Física dos Meninos", edição de 1971: "o uso da andarilha é muito nocivo porque para além de oprimir o peito das crianças entorta-lhe as pernas, pois que elas têm os ossos muito tenros e ganham aleijões se os obrigarem a andar antes do tempo".
Apesar dos avisos já tão antigos, os nossos pais, por certo, ainda aprenderam a andar com ele!

andador
Mota
Também este brinquedo é construido com recurso exclusido à madeira, com uma tábua essente em três rodas, sendo que a da frente funciona como direcção.
A mota nas mais diversas formas, é outro brinquedo antigo. Tal como outros brinquedos, tambem se encontra em outros paises europeus e não só. Em Itália existe uma estátua do séc. XVII que representa meninos entretidos com este objecto. Uma ideia bem gira, muito antes de se falar no "Direito de Brincar"!
Desloca-se em descidas, sem ajuda de ninguém; em planos e subidas, com a colaboração de companheiros que a empurram com um pau e que se vão revesando, consuante as regras que estabelecem.
Mota
Espingarda de cana

Cerca de um metro de cana cuidadosamente rachada ao meio, de forma a que uma das metades se possa levantar e prender a um "gatilho", que quando puxado, faz com que as metades batam uma na outra e provoquem um pequeno e inofensivo estalido.
Era usada no jogo da "leija", uma especie de caça ou rebusco das uvas que logravam escapar à atenção dos vindimadores. Em soalheiros Domingos de Outono, a pequenada saltava às vinhas, para daí a pouco regressar, alegre e vaidosa com as suas presas, as uvas, atadas à cintura... como que quem chama a atenção dos adultos para que da próxima vez sejam mais cuidadosos com a vindima!
O pior era que o sumo das uvas acabava por sujar as calças da rapaziada... e as mães nem sempre partilhavam com ela a ilusão de uma grande caçada.

espingarda
Arraioco

Também conhecido por rela, arrela ou moinho de noz.
Uma noz a que se tira cuidadosamente o miolo, atravessada de alto a baixo por um eixo de pau trabalhado na extremidade superior; na extremidade inferior segura-se uma pequena roda de madeira.
No interior da casca de noz, enrolada ao eixo, encontra-se um fio cuja ponta sai por um buraco lateral na casca de noz. Puxando por esta ponta, dá-se um movimento de rotação do eixo que é, depois, levado a rodar em sentido contrário; puxando de novo, estes movimentos mantêm-se até querermos.
À noite, quando se ouviam as rãs, dizia-se "lá estão os arraiocos", tal é a semelhança entre o coaxar daquelas e o ruido deste brinquedo, quando gira. Aliás o seu nome deriva dessa semelhança.
Trata-se de um brinquedo muito antigo, documentado em iluminuras, gravuras e pinturas.
Aparece, como exemplo, no célebre quadro de Breughel.

arraioco